Mostrando postagens com marcador Palavras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Palavras. Mostrar todas as postagens

25 de abril de 2020

● Só a arte

abril 25, 2020 3 Comments


Beijo sutilmente o vidro da janela
Enquanto sussurro minhas esperas
Uma resposta paira no meu ouvido direito

Assim vivemos na miragem, sem uma aquarela
E pensei que flutuar, fosse olhar a encosta
A espreita dessa vida, enredos suspeitos

Nada lá fora eu vejo, parece a vida uma pedra preciosa
Que cai de meus dedos
Um drama no meio de dias onde a luz acerta o poeta
Desmancho a inspiração que pouco jaz nesse peito

Podia ver as nuances em cada olhar que cruzei pela rua
Caminho, mas sinto uma armadilha
Como se os pés tivessem fora de compasso
E a música em suas palavras rasas pairando na sacada

Esperei demais, no início e no fim de tudo
Das teorias, ironias e pelo afeto seguro (cercado de muros)

No concreto todos meus pesares 
Na ponta da língua minha indecisão e nesse versos livres uma faísca
A poeta não se perde em linhas, quem pensaria?

A voz é um sopro como o cotidiano esperaria
Mas só a arte faz suspirar no fim do dia
Só a arte traz o verdadeiro respirar

Só a arte

Autoria: Franciéle Romero Machado (Escrita em 04/01/2020)
Imagem: Oprisco (Devian Art)


17 de janeiro de 2019

● Cartas para ninguém

janeiro 17, 2019 2 Comments


Cartas para minhas ilusões infernais
Joelhos inclinados e um obstáculo da rotina
E os traços que despertam a nossa voz

Se não fossem esses desamores casuais
O que você diria do que espera atrás da cortina?
Tem planos apontados e jamais foi algoz?

Sua loucura sozinha mesma descasca
Para esse entardecer ser o sol que faltava
Cicatrizar as fendas da alma iludida

Recordar que do amor tiram cada lasca
E intacto foi sacudido com cada palavra
O tormento será defrontar-se desvanecida

No depois...
Escrevendo cartas para ninguém.

Autoria: Franciéle Romero Machado

Um poema simples para iniciar o ano de 2019!

23 de janeiro de 2017

• Como fantoche

janeiro 23, 2017 2 Comments

Um fantoche de mim mesmo
Eis o que sou!
Já que não inspiro, nem respiro

Vulgar é a monotonia que se arrasta
Espalhando as mesmas estórias
E incerta como o destino de um tiro

Um calabouço de mentes perversas
Um fantoche que nada pensa
E assim fica a palma das mãos imersas

Peculiar parecem ser as conversas
Que partem de uma boca estranha
E de um olhar insano

Um fantoche, ora que espetáculo
A saborear a matéria fria
Que assumem os dias, esses dias

Um a um, hora a hora, segundo a segundo.

Autoria: Franciéle Romero Machado
Imagem: Devian Art by bolshevixen

4 de abril de 2014

• Indecifrável

abril 04, 2014 12 Comments

Parece até que nossa voz
É um eco percorrendo o universo
Alcançando o brilho estelar que nunca termina

A constelação me tem como algoz
Pois nem sei reconhecer o inverso
Desse verso mal vestido de neblina

Parece até que a embriagada  imensidão
Com cheiro no ar de frases sem entender
Está em um lugar quase alcançável 

Embora crie-se essa ilusão
A voz está andando universo eterno a se perder
E cada vez mais fica indecifrável

Em nosso vocabulário tão infinito
Ouvir a nítida voz já é algo restrito

Só se perde universo afora, ninguém pra ouvir....

Autora: Franciéle.R.Machado

21 de agosto de 2010

• Tudo transparece

agosto 21, 2010 27 Comments

Transparência entre sentidos
E grande indulgência
Acerca-se sobre todo o espaço
Modesto e com passos largos

O que preciso? Já não me indaga
Lugar postiço, não me esmaga
Acostumo-me a não me encontrar
Na onda desse som a ecoar

Porque essa aflição inventada
Não se passa de palavras paradas
Transparente essa luz ilumina
Na envolvente neblina

Descrevo bem mais que o sentido
No transparente mundo dividido
Deixo-me transparecer
Permito que tudo possa se perceber
---

Autoria: Franciéle R.Machado

4 de fevereiro de 2010

• As contradições

fevereiro 04, 2010 24 Comments

As palavras vão seguindo desvairadas
Flutuando pelo ar
Tudo falado não é nada
Em tudo existe contradição
Mas são apenas palavras do coração

Apenas mais um contrariada
Traída pelas minhas reais palavras
Absolutamente nada, palavras mortais
Ao que escrevo algumas coisas não fazem sentido

As luzes daqueles sonhos se apagaram
E pouco a pouco me deixaram
Sem palavras para escrever
Fazer tudo perfeito não

A perfeição se foi para distante
Bem longe daqui adiante
Sou apenas mais uma contrariada
Pelo que sinto

O sol cruzou a minha estrada
E me fez estar iluminada
Pelo que conheço agora
Sejam palavras tristes e dramáticas
E também felizes
Que anunciam a minha vida estática
Presa pelas contradições
Seja cedo ou tarde demais
A minha paz sempre vou reencontrar
---
Autoria: Franciéle.R.Machado

31 de janeiro de 2010

• Reclamando sem motivo

janeiro 31, 2010 18 Comments


Há muitas vezes que reclamo
Na verdade mesmo quando está tudo bem
É a absorção da felicidade que chamo
Procurando por ninguém

Nessa dependência de erros assim
Que de algum jeito têm concerto
E esse vício não tem fim
Eu desejo um pouco mais de acertos

Mas eu reclamo sempre
E no final há um agradecimento
Não tem ninguém que relembre
E faz de tudo esquecimento

Melhorar e não reclamar
Agradecer e viver sinceramente
A mais ninguém machucar
Com palavras de reclamação deprimentes

Andei em mesmas rotas
No cotidiano parecido
Acabei fechando portas
Erros vão sendo esquecidos

Não vou ninguém ferir
Com várias palavras sem pensar
Minha boca aos poucos vai desmentir
O que fui sem motivo reclamar
---

Autoria: Franciéle.R.Machado

21 de janeiro de 2010

• A inspiração

janeiro 21, 2010 4 Comments

Poesias não são apenas palavras bonitas

Contendo sempre uma magia
É bem mais, é um pensamento

Quando o coração palpita
Numa rítmica harmonia
Vivendo ali sentimentos

Uma ideia com uma emoção
Um sonho meio sem explicação
Alegrias e tristezas
Unidas, mas sem uma certeza

Palavras ganhando alguma vida
Em minhas folhas
Que vão ficando envelhecidas
Poucas, mas certas escolhas

Um pensamento, um coração
Inexplicável quando vem a inspiração
Um sentir improvável
Meu coração feito anotação
---
Autoria: Franciéle.R.Machado