17 de janeiro de 2019

● Cartas para ninguém

janeiro 17, 2019 1 Comments


Cartas para minhas ilusões infernais
Joelhos inclinados e um obstáculo da rotina
E os traços que despertam a nossa voz

Se não fossem esses desamores casuais
O que você diria do que espera atrás da cortina?
Tem planos apontados e jamais foi algoz?

Sua loucura sozinha mesma descasca
Para esse entardecer ser o sol que faltava
Cicatrizar as fendas da alma iludida

Recordar que do amor tiram cada lasca
E intacto foi sacudido com cada palavra
O tormento será defrontar-se desvanecida

No depois...
Escrevendo cartas para ninguém.

Autoria: Franciéle Romero Machado

Um poema simples para iniciar o ano de 2019!

30 de novembro de 2018

● Imagens superficiais

novembro 30, 2018 1 Comments



Luzes irreais que desnorteiam
Só precisa de algo para se satisfazer
Aumentar o frágil ego, projetar uma imagem

Enquanto as novidades da vitrine anseiam
E o vazio é preenchido, até parecia que assim ia ser
Não é difícil se entorpecer em qualquer miragem

Quanto que custam sorrisos plásticos?
Encher a estante de livros que não serão lidos
Objetos espalhados e dispersos, presentes artificiais 

Esse é o nosso universo de sonhos sarcásticos!
Tampouco importa como será o amanhã esculpido
Quão feliz seria se pudesse comprar tudo com alguns reais?

E se entorpece na falsa promessa superficial
E nas luzes de sua  ilusória satisfação
Permite vestir seu engano mais banal

Assim que despertar, quem sabe encontre seu eu


Autoria: Franciéle Romero Machado

Imagem: By Oprisco (Devian Art)






22 de agosto de 2018

● Desencanto

agosto 22, 2018 0 Comments

Abracei minha mágoa, a entrelacei em meus braços
Como se o depois fosse um súbito sonho que acordamos
E olhei naqueles olhos que outrora eram paz, hoje desencanto

Mas eu me misturo continuamente aos seus pedaços
Quebra-cabeças de sorrisos soltos que confrontamos
E assim o gosto amargo permaneceu em cada canto

Onde o destino desponta um ilusório brilho
De que nossos passos tortos encontrariam-se algum dia
Em algum café, algum bar, alguma esquina solitária

Diferente de um trem que segue diariamente o mesmo trilho
Desgovernados são nossos sentimentos, uma armadilha
Abraçando minha mágoa, cada parte de mim involuntária

Aqueles olhos amorosos sem horizonte, desnorteados pelo talvez
E aqueles braços de quem afaga seu amor pela última vez



Meu desencanto, tudo mudou.




Autoria: Franciéle Romero Machado

Imagem: Oprisco


12 de agosto de 2018

● Cada palavra que jaz

agosto 12, 2018 2 Comments



O que escrevo são como fotografias mal tiradas
Meu eu, que não pertence ao nada
Se você busca olhos e acalento
O conforto não é em meus braços sem sustento

A tempestade que se formou naquele dia comum
Em maio e seus dias mornos e nublados
Não posso, desviar a atenção e a intenção
De que buscas em mim, um verso improvável

Cada palavra aqui jaz, matéria explosiva
Impulsiva como sentimentos em decomposição 
E preenche cada suspiro, palpita na batida da canção
Ainda encontra-se inexplicavelmente viva!

Mas eu não consigo traduzi-lá sem me desfazer
Como se fosse ao encontro do desalento
Conjurada em cada letra e sua denotação
Pertenço assim ao delineado de cada sensação


Autoria: Franciéle Romero Machado







19 de maio de 2018

Peito em estopim

maio 19, 2018 1 Comments



Conversas do anoitecer
Só eu e você
Dentre olhares confortáveis

Reinvento, paisagens aleatórias de nós
O teu humor tão seguro de si
Um gosto de que algo entre nós 
Não pode fugir assim

Um salto no ar, pra quem quer tanto
Quando teus olhos me abraçam
Te percebo em cada canto
Da minha projeção mais impensável

Sei que não é pouco
Amar desperta a intenção
De embaralhar toda a nossa razão

Insano, como quem declara o que sente tão alto
E se o depois não houvesse?
Sorriria para ti, pois viveu um sonho em mim

Um tormento que me desatinou
Um suspiro em sua voz, ouço em meu interior
A vida que desabrochou de novo enfim

Quando nos reconstruímos
Mesmo quando parecera arrancar esse afeto por medo
Reviveu, peito em estopim

Pois decerto não era para ser o fim

Autoria: Fran Romero


8 de maio de 2018

• Avessos

maio 08, 2018 1 Comments

Não sou eu há dias, ou horas
Nem anteontem desde o sentido distorcido
Que vaga beirando ao silêncio
Linha tênue que embriaga

Não sou horizonte, nem estrada
Pois parei em pontos distantes
Além da lua e da noite
E há dias permaneço assim intacta

E dentre tropeços, perdi os endereços
Tenho casa só dentro de mim
Para não dizer que sou perdida
Nestas linhas vastas de insensatez

Não sei onde ficou o espelho
Pois esta face não é minha
Desde que me tornei ventania desfocada
Que passeia sem qualquer adereço

Embora tenha no peito ideias sozinhas
Que dos avessos perdem-se por aí
Não sou eu, faz dias, um mês
E quem sou? Linha do verso só por dizer?

Autoria: Franciéle Romero Machado

Amigos, desculpe a ausência do blog...Continuarei compartilhando cada verso com vocês!

18 de julho de 2017

● Ponteiros tortos

julho 18, 2017 2 Comments

Quantos sonhos loucos passaram por tua porta?
Não viu as cores que tecem o céu, que mudou há tempos
Perdemos a lucidez desde os anseios mais remotos
Desde que a dúvida, calou qualquer tentativa torta

Me desnorteia respirar nesse véu de dias iguais
Eu conversaria por horas dentro de mim mesma
Com os mesmos traços e ainda os mesmos pedaços
Embora sinto que meus anos correram demais

Voltaria para quem fui, correndo ao alento
Retalhos do que bastou para amar, não seria para depois
Basta de fugir do meu eu, sem contentamento!
Eu e meus batimentos descompassados não somos dois 

Corremos na linha de qualquer outra perdição
Entre a brandura e a loucura, sem ponteiros para seguir
Na frente aos pés, aos poucos sinto a leve intuição
Alguém mais despertou depois de tempos sem sentir?

Autoria: Franciéle R. Machado

7 de junho de 2017

• Fria e magoada

junho 07, 2017 2 Comments

Esse vento gélido para meus ossos
Deste nublado céu de quatro e pouco da tarde
Sinto como se flutuasse dentro de mim

Isso parece ser ideal para os dias nossos
E sem gritar, sem qualquer alarde
Não temeria hoje qualquer dia assim

Antes um devaneio assim não quisera
Pois tinha medo do que os loucos diriam
Do frio e sua leve brisa fria e magoada

Dessa suave sensação na pele, como pudera
É só uma infâmia que repudiam!
Essa brisa sobre a face, perfeita e desbotada

Só por este instante
Quisera cair e recair neste devaneio
Infinitamente, visceralmente

Autoria: Franciéle R.Machado