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• Como fantoche


Um fantoche de mim mesmo
Eis o que sou!
Já que não inspiro, nem respiro

Vulgar é a monotonia que se arrasta
Espalhando as mesmas estórias
E incerta como o destino de um tiro

Um calabouço de mentes perversas
Um fantoche que nada pensa
E assim fica a palma das mãos imersas

Peculiar parecem ser as conversas
Que partem de uma boca estranha
E de um olhar insano

Um fantoche, ora que espetáculo
A saborear a matéria fria
Que assumem os dias, esses dias

Um a um, hora a hora, segundo a segundo.

Autoria: Franciéle Romero Machado
Imagem: Devian Art by bolshevixen

Comentários

  1. Jamais devemos ceder espaço total a nossa insanidade, pois assim como ela alimenta nossa expressão alimenta também os frios pensamentos que limitam nosso verdadeiro ser, essência e ação, frio e calor, felicidade e tristeza, Yin e Yang...
    Beijos Fran, gostei desta temática, parece conter traços do seu amor ao suspense, revelam muito de seus monólogos e pensamentos aleatórios, coisas que somente quem pratica a arte por amor vivencia...

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    Respostas
    1. Sim, parece tão simples de nos perdermos em meio ao dia a dia e sermos alvos de ações impensadas e sentimentos que não fazem parte de nossa essência. Atualmente, acredito que as pessoas perdem-se sem sequer notar o que podem ter se tornado. Fico muito feliz e grata com sua visita e seja sempre bem-vindo ao espaço!

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● Ponteiros tortos

Quantos sonhos loucos passaram por tua porta? Não viu as cores que tecem o céu, que mudou há tempos Perdemos a lucidez desde os anseios mais remotos Desde que a dúvida, calou qualquer tentativa torta
Me desnorteia respirar nesse véu de dias iguais Eu conversaria por horas dentro de mim mesma Com os mesmos traços e ainda os mesmos pedaços Embora sinto que meus anos correram demais
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Corremos na linha de qualquer outra perdição Entre a brandura e a loucura, sem ponteiros para seguir Na frente aos pés, aos poucos sinto a leve intuição Alguém mais despertou depois de tempos sem sentir?

Autoria: Franciéle R. Machado

• Avessos

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Não sou horizonte, nem estrada Pois parei em pontos distantes Além da lua e da noite E há dias permaneço assim intacta
E dentre tropeços, perdi os endereços Tenho casa só dentro de mim Para não dizer que sou perdida Nestas linhas vastas de insensatez
Não sei onde ficou o espelho Pois esta face não é minha Desde que me tornei ventania desfocada Que passeia sem qualquer adereço
Embora tenha no peito ideias sozinhas Que dos avessos perdem-se por aí Não sou eu, faz dias, um mês E quem sou? Linha do verso só por dizer?
Autoria: Franciéle Romero Machado

Amigos, desculpe a ausência do blog...Continuarei compartilhando cada verso com vocês!

Peito em estopim

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Insano, como quem declara o que sente tão alto
E se o depois não houvesse?
Sorriria para ti, pois viveu um sonho em mim

Um tormento que me desatinou
Um suspiro em sua voz, ouço em meu interior
A vida que desabrochou de novo enfim

Quando nos reconstruímos
Mesmo quando parecera arrancar esse afeto por medo
Reviveu, peito em estopim

Pois decerto não era para ser o fim

Autoria: Fran Romero