25 de abril de 2020

● Só a arte

abril 25, 2020 3 Comments


Beijo sutilmente o vidro da janela
Enquanto sussurro minhas esperas
Uma resposta paira no meu ouvido direito

Assim vivemos na miragem, sem uma aquarela
E pensei que flutuar, fosse olhar a encosta
A espreita dessa vida, enredos suspeitos

Nada lá fora eu vejo, parece a vida uma pedra preciosa
Que cai de meus dedos
Um drama no meio de dias onde a luz acerta o poeta
Desmancho a inspiração que pouco jaz nesse peito

Podia ver as nuances em cada olhar que cruzei pela rua
Caminho, mas sinto uma armadilha
Como se os pés tivessem fora de compasso
E a música em suas palavras rasas pairando na sacada

Esperei demais, no início e no fim de tudo
Das teorias, ironias e pelo afeto seguro (cercado de muros)

No concreto todos meus pesares 
Na ponta da língua minha indecisão e nesse versos livres uma faísca
A poeta não se perde em linhas, quem pensaria?

A voz é um sopro como o cotidiano esperaria
Mas só a arte faz suspirar no fim do dia
Só a arte traz o verdadeiro respirar

Só a arte

Autoria: Franciéle Romero Machado (Escrita em 04/01/2020)
Imagem: Oprisco (Devian Art)


3 de abril de 2020

● Desatinada

abril 03, 2020 1 Comments

Desejava que agora fosse inverno
Daí o sol me abraçaria
Em seu abraço morno no meio da brisa fria

Dizem que a solidão é um inferno
Mas me acalenta mais que a mentira
Exalando de tua pele que transpira

Pois as mudanças são uma miragem
Que no espelho refletiu cada engano
Somos um cor desbotada, não mais ciano

Poderíamos retroceder a engrenagem
Que nos moveu para as lacunas desse afeto?
 Jogou pelo ralo, deixa secar no concreto

Deixa quebrar, inundar para enfim enlutar
Assim como cada emoção deságua
E nas paredes vejo passar cada mágoa

Queria que estivesse como aquele frescor
De quando nos conhecemos, tempo distante
Queria que fosse apenas aquele garoto de antes

Que dos olhos transparecia só amor
Das mãos quentes e sinceras, as primeiras que firme segurei
E displicente me oferta carinho, mas nem tudo sei

Estranhos, andei pela cidade desatinada
Desejava o calor de sua respiração
Queria sua mudança, não viver em contradição

Agora amo o que fomos, não posso viver apaixonada
E se doer, algum dia vai colorir esse outono meu

Autoria: Franciéle Romero Machado

26 de março de 2020

● Inquietude vital

março 26, 2020 2 Comments

Os dias que jamais imaginei, a cortina da realidade nos separa
E a rotina flui leve, incerta e incontida
Parados no mesmo lugar, saudade apertada

E como a vida da forma que era...coisa rara!
O mundo parou para ver, existência de outra forma esculpida
Nossa liberdade tornou-se uma questão conturbada

Como queria correr pelas ruas, hoje tão vazias
Abraçar meus amigos, sentir o calor humano
Ouvir nossas vozes misturadas num dia fresco de outono

A multidão e suas faces não tão frias
A cor que emana de cada sorriso, aonde foram nossos planos?
O dia em que tudo mudou, nosso destino sem contorno

(Quando vimos que para fatos, não há retorno
Ou via que seja segura para percorrer)

Aprendemos a desabrochar em nosso interior rarefeito
Na quietude amar as pessoas, mesmo longe do olhar
E na esperança, fazer o passatempo mais habitual

Essas cores no céu, a espera que tudo volte a ser inteiro
Que possamos sem medo livres respirar, nos abraçar
E que a vida seja simples, seja de volta a nossa inquietude vital

Autora: Franciéle Romero Machado
Imagem: Ankazhuravleva (Devian Art)
Escrito em 26 de março de 2020.

Olá amigos. Jamais imaginei escrever um poema desse tema...
Escrevi devido a esse momento que estamos passando, tinha muito mais a dizer pois envolve muitas mudanças seja em nossa forma de ver a vida. Quis escrever uma perspectiva de esperança para que todos nós fiquemos tranquilos, pois tudo voltará ao normal. Obrigada

14 de agosto de 2019

● Poema especial - 10 anos de Blog!

agosto 14, 2019 2 Comments


O início de tudo, o ponto do começo
Verter as palavras pro mundo entender
Que dos versos sai a vida de várias formas
Na pergunta, na vital incógnita

E então de dramas as linhas são preenchidas
Com uma canção ao fundo, notas descompassadas
O pulsar forte e os dedos em inquietação
Nos conhecemos em entrelinhas abstratas

Não escolhi a poesia, ela me preencheu o peito
E parte do poeta, faz o ar ter graça e inspirar
Seja em palavras de afeto ou temor pelo futuro 
Desatina os temas desse mundo único

A caneta sobre as folhas, a chuva mansa
O nada e o tudo, assim aqui tudo começou
Uma faísca que ao passar dos anos me alcança
E mantém aqui intacto, pois esse espaço me abraçou

E obrigada por cada um que aqui passou
Dedicou palavras a um poema ou leu!
Dia 05 de julho o blog completou 10 anos 
E minha gratidão a inspiração que aqui viveu!

E a cada um de vocês!

Autoria: Fran Romero

17 de maio de 2019

● Calmaria

maio 17, 2019 2 Comments

Meu corpo adquire 
A forma própria e imprópria
Vago por miragens sentimentais
Essas coisas imperceptiveis
Que não se nota em um fim de tarde
O obscuro pulsar da mocidade

Passa, e se arrasta a ingenuidade
Tanta busca que nunca se acaba
E vai descontínua
Numa linha além do pensar

Meu corpo já não é tão forte
E beira ao devaneio
Uma forma covarde
De relutar aos anos que fatais
Só andam em pressa

Não sei mais guardar meus segredos
E distraída sei ser feliz
De forma a ser em mim várias
Com decisões na ponta da língua
E o tudo do depois escrito
Em folhas imáginarias e impulsivas
Explosivas!

Meu corpo adquire o espaço
Que sobrou para se reclinar
Meu corpo quer caber no abraço
E quer na calmaria da sua vida se jogar

Autoria: Franciéle Romero Machado
Imagem: Oprisco 

2013

21 de fevereiro de 2019

● Contrastes sentimentais

fevereiro 21, 2019 32 Comments

Já estive tão longe, milhas de mim
Não podia me ver, nulo reflexo no espelho
O medo de encarar meus pesadelos

Vivi pela memória e pelo fim
Em folhas amareladas o contraste que me assemelho
Por cada suspiro de um novo dia, por que não querê-los?

E forte cada passo desprendia-se da comodidade
A letargia, sentimentos sufocados era tão natural
Eu estive perdida em páginas de um dia acizentado

Um desafio o reencontro ao meu eu sem tempestades
Cicatrizes da alma são uma espera sem final
Mas nas fraquezas deixamos nosso eu cansado

Para se encontrar na luminosidade do agora
Ouvir que cada recomeço é uma dádiva
E sentir o que for nunca será uma mordaça

Que de quem somos não podemos ir embora
Seja cruel, nossa existência é uma ave ávida
Que sente e realmente existe por onde passa

Autoria: Franciéle Romero Machado
Imagem: Oprisco (Devian Art)

17 de janeiro de 2019

● Cartas para ninguém

janeiro 17, 2019 2 Comments


Cartas para minhas ilusões infernais
Joelhos inclinados e um obstáculo da rotina
E os traços que despertam a nossa voz

Se não fossem esses desamores casuais
O que você diria do que espera atrás da cortina?
Tem planos apontados e jamais foi algoz?

Sua loucura sozinha mesma descasca
Para esse entardecer ser o sol que faltava
Cicatrizar as fendas da alma iludida

Recordar que do amor tiram cada lasca
E intacto foi sacudido com cada palavra
O tormento será defrontar-se desvanecida

No depois...
Escrevendo cartas para ninguém.

Autoria: Franciéle Romero Machado

Um poema simples para iniciar o ano de 2019!

30 de novembro de 2018

● Imagens superficiais

novembro 30, 2018 1 Comments



Luzes irreais que desnorteiam
Só precisa de algo para se satisfazer
Aumentar o frágil ego, projetar uma imagem

Enquanto as novidades da vitrine anseiam
E o vazio é preenchido, até parecia que assim ia ser
Não é difícil se entorpecer em qualquer miragem

Quanto que custam sorrisos plásticos?
Encher a estante de livros que não serão lidos
Objetos espalhados e dispersos, presentes artificiais 

Esse é o nosso universo de sonhos sarcásticos!
Tampouco importa como será o amanhã esculpido
Quão feliz seria se pudesse comprar tudo com alguns reais?

E se entorpece na falsa promessa superficial
E nas luzes de sua  ilusória satisfação
Permite vestir seu engano mais banal

Assim que despertar, quem sabe encontre seu eu


Autoria: Franciéle Romero Machado

Imagem: By Oprisco (Devian Art)