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Postagens

● Desencanto

Abracei minha mágoa, a entrelacei em meus braços Como se o depois fosse um súbito sonho que acordamos E olhei naqueles olhos que outrora eram paz, hoje desencanto
Mas eu me misturo continuamente aos seus pedaços
Quebra-cabeças de sorrisos soltos que confrontamos
E assim o gosto amargo permaneceu em cada canto

Onde o destino desponta um ilusório brilho
De que nossos passos tortos encontrariam-se algum dia
Em algum café, algum bar, alguma esquina solitária

Diferente de um trem que segue diariamente o mesmo trilho
Desgovernados são nossos sentimentos, uma armadilha
Abraçando minha mágoa, cada parte de mim involuntária

Aqueles olhos amorosos sem horizonte, desnorteados pelo talvez
E aqueles braços de quem afaga seu amor pela última vez


Meu desencanto, tudo mudou.



Autoria: Franciéle Romero Machado
Imagem: Oprisco

Postagens recentes

● Cada palavra que jaz

O que escrevo são como fotografias mal tiradas Meu eu, que não pertence ao nada Se você busca olhos e acalento O conforto não é em meus braços sem sustento
A tempestade que se formou naquele dia comum Em maio e seus dias mornos e nublados Não posso, desviar a atenção e a intenção De que buscas em mim, um verso improvável
Cada palavra aqui jaz, matéria explosiva Impulsiva como sentimentos em decomposição  E preenche cada suspiro, palpita na batida da canção Ainda encontra-se inexplicavelmente viva!
Mas eu não consigo traduzi-lá sem me desfazer Como se fosse ao encontro do desalento Conjurada em cada letra e sua denotação Pertenço assim ao delineado de cada sensação

Autoria: Franciéle Romero Machado






Peito em estopim

Conversas do anoitecer
Só eu e você
Dentre olhares confortáveis

Reinvento, paisagens aleatórias de nós
O teu humor tão seguro de si
Um gosto de que algo entre nós 
Não pode fugir assim

Um salto no ar, pra quem quer tanto
Quando teus olhos me abraçam
Te percebo em cada canto
Da minha projeção mais impensável

Sei que não é pouco
Amar desperta a intenção
De embaralhar toda a nossa razão

Insano, como quem declara o que sente tão alto
E se o depois não houvesse?
Sorriria para ti, pois viveu um sonho em mim

Um tormento que me desatinou
Um suspiro em sua voz, ouço em meu interior
A vida que desabrochou de novo enfim

Quando nos reconstruímos
Mesmo quando parecera arrancar esse afeto por medo
Reviveu, peito em estopim

Pois decerto não era para ser o fim

Autoria: Fran Romero


• Avessos

Não sou eu há dias, ou horas Nem anteontem desde o sentido distorcido Que vaga beirando ao silêncio Linha tênue que embriaga
Não sou horizonte, nem estrada Pois parei em pontos distantes Além da lua e da noite E há dias permaneço assim intacta
E dentre tropeços, perdi os endereços Tenho casa só dentro de mim Para não dizer que sou perdida Nestas linhas vastas de insensatez
Não sei onde ficou o espelho Pois esta face não é minha Desde que me tornei ventania desfocada Que passeia sem qualquer adereço
Embora tenha no peito ideias sozinhas Que dos avessos perdem-se por aí Não sou eu, faz dias, um mês E quem sou? Linha do verso só por dizer?
Autoria: Franciéle Romero Machado

Amigos, desculpe a ausência do blog...Continuarei compartilhando cada verso com vocês!

● Ponteiros tortos

Quantos sonhos loucos passaram por tua porta? Não viu as cores que tecem o céu, que mudou há tempos Perdemos a lucidez desde os anseios mais remotos Desde que a dúvida, calou qualquer tentativa torta
Me desnorteia respirar nesse véu de dias iguais Eu conversaria por horas dentro de mim mesma Com os mesmos traços e ainda os mesmos pedaços Embora sinto que meus anos correram demais
Voltaria para quem fui, correndo ao alento Retalhos do que bastou para amar, não seria para depois Basta de fugir do meu eu, sem contentamento! Eu e meus batimentos descompassados não somos dois 
Corremos na linha de qualquer outra perdição Entre a brandura e a loucura, sem ponteiros para seguir Na frente aos pés, aos poucos sinto a leve intuição Alguém mais despertou depois de tempos sem sentir?

Autoria: Franciéle R. Machado

• Fria e magoada

Esse vento gélido para meus ossos Deste nublado céu de quatro e pouco da tarde Sinto como se flutuasse dentro de mim
Isso parece ser ideal para os dias nossos E sem gritar, sem qualquer alarde Não temeria hoje qualquer dia assim
Antes um devaneio assim não quisera Pois tinha medo do que os loucos diriam Do frio e sua leve brisa fria e magoada
Dessa suave sensação na pele, como pudera É só uma infâmia que repudiam! Essa brisa sobre a face, perfeita e desbotada
Só por este instante Quisera cair e recair neste devaneio
Infinitamente, visceralmente
Autoria: Franciéle R.Machado

• Empalidecendo

Será que o amor Ousaria normalmente ir? Assim como chegou em um dia qualquer
Se o mundo não fosse dessa dor De deixar o amor fugir Assim fugaz e libertino porque quer
E sua voz suave coisas dizendo  Percebendo que há um silêncio ao fundo Pois mal posso desatar a dúvida
Do entardecer empalidecendo E eis que nessa palidez afundo Em coisas que digo a ti mesmo lúcida
E será que o amor Abriria a porta e nela sairia? Assim "como nada aconteceu"
Os dias futuros só teriam qualquer cor E acho que a solidão aqui habitaria Como se de novo ela fizesse parte do meu eu
Autoria: Franciéle Romero Machado