7 de junho de 2017

• Fria e magoada


Esse vento gélido para meus ossos
Deste nublado céu de quatro e pouco da tarde
Sinto como se flutuasse dentro de mim

Isso parece ser ideal para os dias nossos
E sem gritar, sem qualquer alarde
Não temeria hoje qualquer dia assim

Antes um devaneio assim não quisera
Pois tinha medo do que os loucos diriam
Do frio e sua leve brisa fria e magoada

Dessa suave sensação na pele, como pudera
É só uma infâmia que repudiam!
Essa brisa sobre a face, perfeita e desbotada

Só por este instante
Quisera cair e recair neste devaneio
Infinitamente, visceralmente

Autoria: Franciéle R.Machado

23 de fevereiro de 2017

• Empalidecendo


Será que o amor
Ousaria normalmente ir?
Assim como chegou em um dia qualquer

Se o mundo não fosse dessa dor
De deixar o amor fugir
Assim fugaz e libertino porque quer

E sua voz suave coisas dizendo 
Percebendo que há um silêncio ao fundo
Pois mal posso desatar a dúvida

Do entardecer empalidecendo
E eis que nessa palidez afundo
Em coisas que digo a ti mesmo lúcida

E será que o amor
Abriria a porta e nela sairia?
Assim "como nada aconteceu"

Os dias futuros só teriam qualquer cor
E acho que a solidão aqui habitaria
Como se de novo ela fizesse parte do meu eu

Autoria: Franciéle Romero Machado

23 de janeiro de 2017

• Como fantoche


Um fantoche de mim mesmo
Eis o que sou!
Já que não inspiro, nem respiro

Vulgar é a monotonia que se arrasta
Espalhando as mesmas estórias
E incerta como o destino de um tiro

Um calabouço de mentes perversas
Um fantoche que nada pensa
E assim fica a palma das mãos imersas

Peculiar parecem ser as conversas
Que partem de uma boca estranha
E de um olhar insano

Um fantoche, ora que espetáculo
A saborear a matéria fria
Que assumem os dias, esses dias

Um a um, hora a hora, segundo a segundo.

Autoria: Franciéle Romero Machado
Imagem: Devian Art by bolshevixen

31 de agosto de 2016

• Roteiro desatinado


Vê onde agora estou?
Na tortuosa estrada até você
Assim me desfaço de um roteiro desatinado

Um toque áspero em meu cabelo
E as garras da efemeridade que me prendem
A brisa gélida que pousa nas minhas finas veias

Assim um enredo sucumbido, por tanta ironia
Os meus pés seguem agora descompassados 
E como tatuagem, os meus finais são cicatrizes

E assim vou ao seu encontro pra conversar
Expor sentimentos em ebulição, antes que eles
Enlouqueçam qualquer pessoa em sua razão

Pois a tanto tempo que não lhe vejo: s-o-l-i-d-ã-o

Autoria: Franciéle Romero Machado






25 de maio de 2016

• Apatia


As mobílias trocam-se de lugar
Folhas caem na terra, decomposição
A insanidade te dá as mãos e aceitas
Como se fosse teu prêmio de consolação

Uma vida que se aflora demasiadamente
Observas de canto na sombra da letargia, 
Coração antes impulsionado, é ritmo parado
E a emoção outrora explosiva, só água fria

Assim mesmo, apatia é seu oxigênio agora
Em palpitares que não se propagam pelo pensar
Indiferente, não compra nem mais aqueles jornais
E hoje bebe com calma seus chás matinais

Patologia, caos emocional.

2 de maio de 2016

• Despir-se do orgulho


Permito esse orgulho habitar essa casa
Dentro do meu eu, cheio de fragmentos
Tampouco ligo para as traças
que contornam as células de minha pele

Minhas aventuras de jamais abaixar a cara
Ação rara vindo de mim
Que te juro tentar encaixar essas cartas
Que por mero descuido espalham-se
Assim como jurei, controlar meus atos fraudulentos

Minhas íris ainda trazem engano cor castanho
E  esse humor estranho o qual desejo queimar
Antes que queime a polidez das minhas lágrimas 
quando erro, peco

E me desencontro no meio de entulhos
Arrumo um forma e troco a roupa dos meus defeitos
Retiro a sentença que houvera deixado a mim mesma
Mas humana sou, em meio a um universo...
[ocasional para os desconcertos].

Autoria: Franciéle Romero Machado

23 de abril de 2016

• Anseio inquieto


Só precisava fugir do embaraço
Ter algo pulsando em minhas artérias
Tal compreensão, algum laço
Algo interior, sem haver com matéria

Um afago pelo olhar!
Um sorriso para me abraçar!
Só isso, isso.

Autoria: Franciéle Romero Machado
Imagem: Devian Art by tugbaakdag

21 de abril de 2016

• Brandura


Vou voar por essas ruas inquietas
Como se tivesse aquela alma de outrora
Pronunciar as palavras com toda garganta

Na minha consciência abrir as frestas
Pra que o sol entre sem demora
E que eu possa descobrir o que espanta

Existira tanta mocidade nessas faces
Uma festa, sempre caindo confetes
E o desabor quando se andava sozinho

Esperando algo que ficasse
Não um verso qualquer, milhares de verbetes
Um esconderijo, apenas um ninho

Assim viajo por esta velha cidade
Onde tudo insiste em ser demasiado igual
Até que o café me desperte em loucura

Será o momento ou muito tarde?
Para percorrer a vida que me faz jovial
E rasgar qualquer sinal de brandura

Autora: Franciéle R.Machado

6 de outubro de 2015

• Desalinhado


Eu aqui, você por aí
Separados por uma linha
Pensava que...não magoa
Mas isso desalinha tudo que construí

E derrubei com minha bagunça
Perdoe moço, se isso soa confusão
Todas as paredes que fiz subir
Por um momento quase desabaram

Perceba só [parece uma melodia]
Sem qualquer emoção aparente
Aonde está nosso retrato?
Não quero que fique cheio de pó intocado

E quase quebrou como espelho em vários cacos
Parece que é feito pra cortar
Qualquer noção sobre finais 
Sinto pensar que deve ferir demais

Autoria: Franciéle R. Machado
Composição: Banda Espaços Vagos

Essa é uma canção autoral de minha banda. Tenho projetos musicais e gostaria de compartilhar com vocês!! 

Se quiserem conhecer mais canções da banda:


31 de agosto de 2015

• A desordem é tanta




A quanto tempo e não disse adeus
Deixei o pó chegar a surgir
Para esconder, o que viraram museus
Nesse lugar de sombras, permitir

A quantas horas já não venho 
Que tenho pena de tal silêncio a pousar
Agora chora e observa com empenho
Ao curso que vão os dias, com pesar

E nem dizer do rumo da percepção
Que hoje não canta, se cala e levanta
Espera um carinho de alguma inspiração
Ainda assim, o pó chega e a desordem é tanta!
---
Autoria: Franciéle R.Machado

5 de março de 2015

• Rasuras de mim

Quebra-se este espelho!
Este que costuma refletir 
[rasuras de mim...]
Em seus miúdos pedaços

Pois virei temperamental demais
E assim neste avesso permaneço
Em linhas tortas
Da caligrafia escrita depressa, sem precisão

Quebra-se este reflexo
Não quero me deparar com a alma
Que se envolve por abraço
E escreve loucuras [plena madrugada]

Essas rasuras mal escritas
Por aí refletem
O único resquício de lucidez
Que sobrou em mim

Autoria: Fran. Romero Machado
Imagem: ©2012-2014  Joana Sorino

1 de dezembro de 2014

• Os inícios



Ao vício inexplicado aos dias vivos
Ao sentimento de te sentir
E a saborear seus olhos cativos
De tanto, deste mágico porvir

Quem ousaria dizer que é errado
Olhar seus olhos, sentir seu rosto ao meu
Ao dar um beijo extasiado
Seu coração me pertenceu

E sempre foi meu protetor
Quando nada se sabia dizer ao amor
Em suas mãos que se desfazem nas minhas
Desde o início acho que me tinhas

Autoria: Franciéle R.Machado

1 de novembro de 2014

• Vidro do antes


Todas as frases já escritas
Já são um eu envasado no vidro do antes
Pois são emoções restritas
Aos anos que foram , portanto a outros instantes

E quando leio essas palavras minhas
Que foram de outros dias, horas e estações
Hoje são paisagens sozinhas!
No rodar das novas percepções

É uma parte de mim embrulhada
Ali nas palavras viscerais que escrevera
E como ler sem ficar perturbada?
O que fui e senti, na verdade jamais esquecera

Só adormecera em folhas cheias de traça
Assim como fica o passado em toda a sua graça

Autoria: Franciéle.R.Machado


15 de setembro de 2014

• O quê?


O que posso citar sobre o mundo e sua rispidez?
Dessa vez não são lamúrias de uma jovem atordoada
Quero apenas silêncio imundo das mentiras criadas
Finjo que sou tola, mas acostumei-me as ciladas

Gracejas por quê? Sou áspera em silenciar
Regras para que? Se eles vão sabotar
Na rispidez do mundo imundo e pacífico
Hora abaixo de linhas médias, hora no pico

Sei lá o quê, nunca importou
Ora! Nunca entendi, só senti e vi

Autoria: Franciéle R .Machado



27 de junho de 2014

• As correntes internas


Ao que estou presa?
Se não na margem estreita
Dessa imensidão dentro de mim que não podem ver

Como aquela presa indefesa
Correndo em campos árduos e a espreita
Olhares maldosos para me entorpecer

Que campos estes da paisagem ingênua e intacta?
Em um tempo que não é igual outrora
Tudo se tingiu de preto e branco de repente

Por entre secos galhos esta imagem densa e compacta
Daquele imaginário de que teria ao ir embora
E agora mais ainda é um frescor inconsequente!

(Por estar sem correntes internas?)

Autoria: Franciéle R.Machado