4 de maio de 2024

● Dias tempestuosos

maio 04, 2024 0 Comments




Essa água revolta inunda cada pedaço desse chão

Dói ver o caos do povo do meu Estado, tamanha desolação

A  força da natureza tão cruel, hoje se espalha até nas grandes cidades

Lugares antes vivos, hoje um cenário solitário invade


Tragédia esperada? Rios transbordam, não cabe toda a precipitação 

Poderia ser ilusão, mas chega com a água tamanha anunciação

De que a enchente vai transformar tantas vidas de uma só vez


Como fazer tudo retroceder e a inundação conter?

Poderíamos pedir para a natureza ceder, esperar por um milagre talvez?


E nas estradas bloqueadas param a correria dos dias rotineiros

E as pontes despedaçam-se em questão de instantes derradeiros


E o mais triste... o mais cruel de tudo aparece na TV, no noticiário do dia

Vidas de forma inesperada são arrancadas dos abraços calorosos da família

Jogadas para as águas traiçoeiras, para os escombros, perdidas nesses dias tempestuosos


Dói ver esse meu povo amoroso sofrer 

Como retroceder e esse cenário desaparecer?


Autoria: Franciéle Romero Machado Balok

    Escrito em 04 de maio de 2024



9 de janeiro de 2024

● Eu fragmentado

janeiro 09, 2024 1 Comments


 Nas nuvens acinzentadas e distantes por segundos me vejo

Refletida como uma nostalgia que chega junto a brisa matinal

Quando volto ao eu fragmentado de quem outrora fui


É uma conversa, uma história ouvida e seu ensejo

Como se retroceder nas memórias fosse inteiro e surreal

Me deixo desfazer como as nuvens enquanto o andar das horas flui


Por que tantas vezes nos perdemos nos traços da modernidade?

Onde somos somente humanos destinadas a produzir e algo se tornar

Que já nem lembro em essência se queria algo do que construí


E agora as canções antigas só me transportam para a sanidade

Nas páginas rasuradas que um dia me vi, na íris da imensidão olhar

Pra vida que aflora, nas sutilezas algum dia como hoje me reconstruí


Eu fragmentado, se desfaz e refaz

Disfarça e se veste de farsa


Autoria: Franciéle Romero Machado Balok

Escrito: 09 de janeiro de 2024

Imagem:  Malamila (Devian Art)





23 de fevereiro de 2023

● Andarilhando

fevereiro 23, 2023 2 Comments



Enquanto a rua persiste como...

Única paz

Andarilha sua alma nua, a qual refletida nas vitrines 

Se desfaz


E agora essas luzes piscantes lhe dizem ser tudo loucura

A monotonia se grudou como chiclete em seus pés

Nas canções ainda procura algo que expressasse 

O que seria se a vida fosse apenas pura?


Não um simples eco que percorre cada avenida


A lentidão do relógio e esses tique-taques mentais

Não bastasse a chuva que molha os ladrilhos desde a manhã

E o vento que balbuciou quem deveria ser nos previsíveis mapas astrais

Ainda assim a rua  jamais será para si a vilã


A  pouca paz bradava dentro do peito em abrupta descida


Pausa pra qualquer bebida destilada, a noite ainda brilha

Luminosa, embora melancólica para quem não espera redenções

Suas tantas vivências...formam tortuosas trilhas

Explicam quem vive pra se reencontrar em ilusórias direções


Se simples fosse...pudera abraçar cada alma doida 


Autoria: Franciéle Romero Machado Balok




18 de fevereiro de 2022

● Imprecisão do amanhã

fevereiro 18, 2022 9 Comments

 Os pés ancorados em algum lugar 
Aguardando pela novidade do tempo que virá 
E o que será? Se não se perder em um labirinto indeciso

Eu tenho a voz dentro de mim, poderia bradar
A inquietude do vento que sopra e não cessará
Uma fortaleza em meio a um caminhar impreciso

Mas a mesma mente que divaga, a lucidez esmaga
Esperaria voltar a ser quem era outrora
Só que num sombrio passatempo, como poeira me dissipei

De supostos medos essa atmosfera se alaga
E invés de respirar as cores, o preto e branco se ancora
Esperamos os finais de semana, fugir de algo que nem sei

O que esperar? Quando tua luz enfraqueceu 
Como uma fogueira num dia frio, difícil permanecer intacta
E mesmo sem chuva parece que algo a apaga

Talvez uma vida tão abrupta que nos esvaneceu
O cansaço interno, planos incertos e a rotina que impacta
Nesse caos breve quero me reencontrar ao que me afaga

Quem sabe, logo ou quando ?

Autoria: Franciéle Romero Machado
Escrito: 09 de fevereiro de 2022.

9 de fevereiro de 2022

● Tudo diferente

fevereiro 09, 2022 1 Comments



 Adormecer pensamentos no travesseiro
A espreita do incerto destino
Na poeira que logo cobre os olhos
Em notícias, presos no desatino

Cruzou depressa nosso tempo irracional
Com aquele jeans antigo e desbotado
E as mesmas boas histórias
Lembrou-se dos amigos num bar do passado

Os passos na calçada ao anoitecer
Em acordes da música no fone de ouvido
Na vitrine livros para nos entreter
A dicotomia sempre, pensar confundido 

Podia ter tanto a escrever
Enquanto o abril simplesmente inicia
E a vida hoje, pouco a se prever
Da cama, cuidar pois a monotonia vicia

E adormecer às vezes parece ser
O remédio para a lucidez aqui pertencer

Autoria: Franciéle Romero Machado (Escrita em 04/04/2021)
Imagem: Oprisco (Devian Art)

4 de abril de 2021

● Meu primeiro livro

abril 04, 2021 2 Comments

Olá amigos (as) do blog Inventada Percepção! 

Venho com muita felicidade anunciar o lançamento do meu PRIMEIRO LIVRO de POESIAS. Um sonho que me acompanhava há muitos anos, pelo menos desde que iniciei este blog em 2009 aos 15 anos. 

Fui contemplada com a Lei de Emergência Cultural Aldir Blanc (Lei nº 14.017/2020), através da aprovação do projeto "Inventada Percepção" que inscrevi no edital. Através disso tive como financiar meu livro bem da forma que queria, capa exclusiva, ilustrações e com uma tiragem de 600 exemplares. É também uma realização do Setorial do livro, leitura e literatura da cidade de Itaqui-RS o qual faço parte.

O livro conta com +90 poemas em 124 páginas, incluindo diversos poemas inéditos e também alguns preferidos aqui do blog. 

Eu amei e estou muito grata de compartilhar esse momento nesse espaço que tem grande importância poética. Pois foi a interação ao longo do tempo com vocês, os comentários positivos que me motivaram a prosseguir sempre na escrita. Afinal, nós artistas esperamos um reconhecimento e esse carinho.

Aqui o resultado de como o livro ficou! 

Obs: Caso alguém tiver interesse, fico a disposição para perguntas e envio pelo correio também (R$20 reais o livro).

Obrigada, abraços e uma Feliz Páscoa a todos!






13 de setembro de 2020

● Raízes

setembro 13, 2020 0 Comments

Nossos destinos, a semente na terra
Pronta para sua mudança, enraíza aos poucos
Ainda assim é livre para respirar

E quando olha para seu redor, tanta guerra
E dentro de si os devaneios mais loucos
Fazem tomar seu café com calma e suspirar

Outrora percorri a estrada nublada
Outono acabou, a batida insistente da chuva
Outro erro para atirar na janela da memória

Reguei a dúvida, enquanto a terra ao redor afundava
Outra insônia, minha face como raízes fazem curva
E sem prever o destino, planto cada espera ilusória

Enraizando na terra árida quem serei
E em breve, como flor desabrocho e MUDArei

Autoria: Franciéle Romero Machado





25 de maio de 2020

● Decifra

maio 25, 2020 2 Comments



Meu descompasso é teu olhar maduro
Que andarilha por um afago
Tua utopia por um futuro
Mesmo se as faíscas apago

O abrigo que nos tornamos agora
E as memórias que teu aroma traz
O cintilar que dos teus olhos verdes jaz
Ao qual tantas vezes desviei outrora

Pois parece que desnuda quem sou
Decifras até os versos que não lhe escrevi
E por um fragmento de tempo vou
Ao reencontro do primeiro instante que te vi

Autoria: Franciéle Romero Machado


25 de abril de 2020

● Só a arte

abril 25, 2020 3 Comments


Beijo sutilmente o vidro da janela
Enquanto sussurro minhas esperas
Uma resposta paira no meu ouvido direito

Assim vivemos na miragem, sem uma aquarela
E pensei que flutuar, fosse olhar a encosta
A espreita dessa vida, enredos suspeitos

Nada lá fora eu vejo, parece a vida uma pedra preciosa
Que cai de meus dedos
Um drama no meio de dias onde a luz acerta o poeta
Desmancho a inspiração que pouco jaz nesse peito

Podia ver as nuances em cada olhar que cruzei pela rua
Caminho, mas sinto uma armadilha
Como se os pés tivessem fora de compasso
E a música em suas palavras rasas pairando na sacada

Esperei demais, no início e no fim de tudo
Das teorias, ironias e pelo afeto seguro (cercado de muros)

No concreto todos meus pesares 
Na ponta da língua minha indecisão e nesse versos livres uma faísca
A poeta não se perde em linhas, quem pensaria?

A voz é um sopro como o cotidiano esperaria
Mas só a arte faz suspirar no fim do dia
Só a arte traz o verdadeiro respirar

Só a arte

Autoria: Franciéle Romero Machado (Escrita em 04/01/2020)
Imagem: Oprisco (Devian Art)


3 de abril de 2020

● Desatinada

abril 03, 2020 1 Comments

Desejava que agora fosse inverno
Daí o sol me abraçaria
Em seu abraço morno no meio da brisa fria

Dizem que a solidão é um inferno
Mas me acalenta mais que a mentira
Exalando de tua pele que transpira

Pois as mudanças são uma miragem
Que no espelho refletiu cada engano
Somos um cor desbotada, não mais ciano

Poderíamos retroceder a engrenagem
Que nos moveu para as lacunas desse afeto?
 Jogou pelo ralo, deixa secar no concreto

Deixa quebrar, inundar para enfim enlutar
Assim como cada emoção deságua
E nas paredes vejo passar cada mágoa

Queria que estivesse como aquele frescor
De quando nos conhecemos, tempo distante
Queria que fosse apenas aquele garoto de antes

Que dos olhos transparecia só amor
Das mãos quentes e sinceras, as primeiras que firme segurei
E displicente me oferta carinho, mas nem tudo sei

Estranhos, andei pela cidade desatinada
Desejava o calor de sua respiração
Queria sua mudança, não viver em contradição

Agora amo o que fomos, não posso viver apaixonada
E se doer, algum dia vai colorir esse outono meu

Autoria: Franciéle Romero Machado

26 de março de 2020

● Inquietude vital

março 26, 2020 2 Comments

Os dias que jamais imaginei, a cortina da realidade nos separa
E a rotina flui leve, incerta e incontida
Parados no mesmo lugar, saudade apertada

E como a vida da forma que era...coisa rara!
O mundo parou para ver, existência de outra forma esculpida
Nossa liberdade tornou-se uma questão conturbada

Como queria correr pelas ruas, hoje tão vazias
Abraçar meus amigos, sentir o calor humano
Ouvir nossas vozes misturadas num dia fresco de outono

A multidão e suas faces não tão frias
A cor que emana de cada sorriso, aonde foram nossos planos?
O dia em que tudo mudou, nosso destino sem contorno

(Quando vimos que para fatos, não há retorno
Ou via que seja segura para percorrer)

Aprendemos a desabrochar em nosso interior rarefeito
Na quietude amar as pessoas, mesmo longe do olhar
E na esperança, fazer o passatempo mais habitual

Essas cores no céu, a espera que tudo volte a ser inteiro
Que possamos sem medo livres respirar, nos abraçar
E que a vida seja simples, seja de volta a nossa inquietude vital

Autora: Franciéle Romero Machado
Imagem: Ankazhuravleva (Devian Art)
Escrito em 26 de março de 2020.

Olá amigos. Jamais imaginei escrever um poema desse tema...
Escrevi devido a esse momento que estamos passando, tinha muito mais a dizer pois envolve muitas mudanças seja em nossa forma de ver a vida. Quis escrever uma perspectiva de esperança para que todos nós fiquemos tranquilos, pois tudo voltará ao normal. Obrigada

14 de agosto de 2019

● Poema especial - 10 anos de Blog!

agosto 14, 2019 2 Comments


O início de tudo, o ponto do começo
Verter as palavras pro mundo entender
Que dos versos sai a vida de várias formas
Na pergunta, na vital incógnita

E então de dramas as linhas são preenchidas
Com uma canção ao fundo, notas descompassadas
O pulsar forte e os dedos em inquietação
Nos conhecemos em entrelinhas abstratas

Não escolhi a poesia, ela me preencheu o peito
E parte do poeta, faz o ar ter graça e inspirar
Seja em palavras de afeto ou temor pelo futuro 
Desatina os temas desse mundo único

A caneta sobre as folhas, a chuva mansa
O nada e o tudo, assim aqui tudo começou
Uma faísca que ao passar dos anos me alcança
E mantém aqui intacto, pois esse espaço me abraçou

E obrigada por cada um que aqui passou
Dedicou palavras a um poema ou leu!
Dia 05 de julho o blog completou 10 anos 
E minha gratidão a inspiração que aqui viveu!

E a cada um de vocês!

Autoria: Fran Romero

17 de maio de 2019

● Calmaria

maio 17, 2019 2 Comments

Meu corpo adquire 
A forma própria e imprópria
Vago por miragens sentimentais
Essas coisas imperceptiveis
Que não se nota em um fim de tarde
O obscuro pulsar da mocidade

Passa, e se arrasta a ingenuidade
Tanta busca que nunca se acaba
E vai descontínua
Numa linha além do pensar

Meu corpo já não é tão forte
E beira ao devaneio
Uma forma covarde
De relutar aos anos que fatais
Só andam em pressa

Não sei mais guardar meus segredos
E distraída sei ser feliz
De forma a ser em mim várias
Com decisões na ponta da língua
E o tudo do depois escrito
Em folhas imáginarias e impulsivas
Explosivas!

Meu corpo adquire o espaço
Que sobrou para se reclinar
Meu corpo quer caber no abraço
E quer na calmaria da sua vida se jogar

Autoria: Franciéle Romero Machado
Imagem: Oprisco 

2013

21 de fevereiro de 2019

● Contrastes sentimentais

fevereiro 21, 2019 32 Comments

Já estive tão longe, milhas de mim
Não podia me ver, nulo reflexo no espelho
O medo de encarar meus pesadelos

Vivi pela memória e pelo fim
Em folhas amareladas o contraste que me assemelho
Por cada suspiro de um novo dia, por que não querê-los?

E forte cada passo desprendia-se da comodidade
A letargia, sentimentos sufocados era tão natural
Eu estive perdida em páginas de um dia acizentado

Um desafio o reencontro ao meu eu sem tempestades
Cicatrizes da alma são uma espera sem final
Mas nas fraquezas deixamos nosso eu cansado

Para se encontrar na luminosidade do agora
Ouvir que cada recomeço é uma dádiva
E sentir o que for nunca será uma mordaça

Que de quem somos não podemos ir embora
Seja cruel, nossa existência é uma ave ávida
Que sente e realmente existe por onde passa

Autoria: Franciéle Romero Machado
Imagem: Oprisco (Devian Art)

17 de janeiro de 2019

● Cartas para ninguém

janeiro 17, 2019 2 Comments


Cartas para minhas ilusões infernais
Joelhos inclinados e um obstáculo da rotina
E os traços que despertam a nossa voz

Se não fossem esses desamores casuais
O que você diria do que espera atrás da cortina?
Tem planos apontados e jamais foi algoz?

Sua loucura sozinha mesma descasca
Para esse entardecer ser o sol que faltava
Cicatrizar as fendas da alma iludida

Recordar que do amor tiram cada lasca
E intacto foi sacudido com cada palavra
O tormento será defrontar-se desvanecida

No depois...
Escrevendo cartas para ninguém.

Autoria: Franciéle Romero Machado

Um poema simples para iniciar o ano de 2019!

30 de novembro de 2018

● Imagens superficiais

novembro 30, 2018 1 Comments



Luzes irreais que desnorteiam
Só precisa de algo para se satisfazer
Aumentar o frágil ego, projetar uma imagem

Enquanto as novidades da vitrine anseiam
E o vazio é preenchido, até parecia que assim ia ser
Não é difícil se entorpecer em qualquer miragem

Quanto que custam sorrisos plásticos?
Encher a estante de livros que não serão lidos
Objetos espalhados e dispersos, presentes artificiais 

Esse é o nosso universo de sonhos sarcásticos!
Tampouco importa como será o amanhã esculpido
Quão feliz seria se pudesse comprar tudo com alguns reais?

E se entorpece na falsa promessa superficial
E nas luzes de sua  ilusória satisfação
Permite vestir seu engano mais banal

Assim que despertar, quem sabe encontre seu eu


Autoria: Franciéle Romero Machado

Imagem: By Oprisco (Devian Art)






22 de agosto de 2018

● Desencanto

agosto 22, 2018 0 Comments

Abracei minha mágoa, a entrelacei em meus braços
Como se o depois fosse um súbito sonho que acordamos
E olhei naqueles olhos que outrora eram paz, hoje desencanto

Mas eu me misturo continuamente aos seus pedaços
Quebra-cabeças de sorrisos soltos que confrontamos
E assim o gosto amargo permaneceu em cada canto

Onde o destino desponta um ilusório brilho
De que nossos passos tortos encontrariam-se algum dia
Em algum café, algum bar, alguma esquina solitária

Diferente de um trem que segue diariamente o mesmo trilho
Desgovernados são nossos sentimentos, uma armadilha
Abraçando minha mágoa, cada parte de mim involuntária

Aqueles olhos amorosos sem horizonte, desnorteados pelo talvez
E aqueles braços de quem afaga seu amor pela última vez



Meu desencanto, tudo mudou.




Autoria: Franciéle Romero Machado

Imagem: Oprisco


12 de agosto de 2018

● Cada palavra que jaz

agosto 12, 2018 2 Comments



O que escrevo são como fotografias mal tiradas
Meu eu, que não pertence ao nada
Se você busca olhos e acalento
O conforto não é em meus braços sem sustento

A tempestade que se formou naquele dia comum
Em maio e seus dias mornos e nublados
Não posso, desviar a atenção e a intenção
De que buscas em mim, um verso improvável

Cada palavra aqui jaz, matéria explosiva
Impulsiva como sentimentos em decomposição 
E preenche cada suspiro, palpita na batida da canção
Ainda encontra-se inexplicavelmente viva!

Mas eu não consigo traduzi-lá sem me desfazer
Como se fosse ao encontro do desalento
Conjurada em cada letra e sua denotação
Pertenço assim ao delineado de cada sensação


Autoria: Franciéle Romero Machado







19 de maio de 2018

● Peito em estopim

maio 19, 2018 1 Comments



Conversas do anoitecer
Só eu e você
Dentre olhares confortáveis

Reinvento, paisagens aleatórias de nós
O teu humor tão seguro de si
Um gosto de que algo entre nós 
Não pode fugir assim

Um salto no ar, pra quem quer tanto
Quando teus olhos me abraçam
Te percebo em cada canto
Da minha projeção mais impensável

Sei que não é pouco
Amar desperta a intenção
De embaralhar toda a nossa razão

Insano, como quem declara o que sente tão alto
E se o depois não houvesse?
Sorriria para ti, pois viveu um sonho em mim

Um tormento que me desatinou
Um suspiro em sua voz, ouço em meu interior
A vida que desabrochou de novo enfim

Quando nos reconstruímos
Mesmo quando parecera arrancar esse afeto por medo
Reviveu, peito em estopim

Pois decerto não era para ser o fim

Autoria: Fran Romero


8 de maio de 2018

• Avessos

maio 08, 2018 1 Comments

Não sou eu há dias, ou horas
Nem anteontem desde o sentido distorcido
Que vaga beirando ao silêncio
Linha tênue que embriaga

Não sou horizonte, nem estrada
Pois parei em pontos distantes
Além da lua e da noite
E há dias permaneço assim intacta

E dentre tropeços, perdi os endereços
Tenho casa só dentro de mim
Para não dizer que sou perdida
Nestas linhas vastas de insensatez

Não sei onde ficou o espelho
Pois esta face não é minha
Desde que me tornei ventania desfocada
Que passeia sem qualquer adereço

Embora tenha no peito ideias sozinhas
Que dos avessos perdem-se por aí
Não sou eu, faz dias, um mês
E quem sou? Linha do verso só por dizer?

Autoria: Franciéle Romero Machado

Amigos, desculpe a ausência do blog...Continuarei compartilhando cada verso com vocês!